VIAGEM ASTRAL - TEMPLO DE SHEKINAH

Quinze dias após minha “iniciação”, voltei ao Templo de Shekinah para mais um ritual, dessa vez, o Ritual de Ascensão. E esse ritual foi totalmente diferente do meu primeiro, por vários motivos. Uma pessoa muito querida estava ao meu lado, uma das que tive a alegria de encontrar em uma de minhas projeções da primeira vez. O outro motivo: tinha mais gente do que na iniciação, pessoas que eu ainda não conhecia. E mais uma vez, uma pessoa me disse que já me viu nesses rituais... É só minha segunda ida! Como é possível?! Mistérios...

Outras duas razões importantes: o ritual foi inteiramente noturno e eu fiz uma preparação diferente, incorporando meus instrumentos da prática da Grande Arte no ritual. Além disso, a mente e a alma estavam viajando desde o início da semana em uma onda mais “narcisista”, o que tornou minha projeção totalmente diferente.

Após a oração de abertura, fizemos a consagração do espaço e a primeira dose nos foi servida. Durante a entoação dos hinos de poder e bailado, procurei me concentrar da melhor maneira possível apenas na minha mente e nos movimentos do meu corpo, sem me preocupar muito com as outras vozes cantando e as outras pessoas dançando. A diferença nesse primeiro ponto foi crucial. Quando me sentei para dar início aos meus trabalhos em particular, pude sentir a força de uma maneira que jamais devo voltar a sentir. E minha mentora mais uma vez esteve presente, e eu estou muito feliz em confirmar isso, não foi apenas uma “visão” momentânea, levada por emoção.


[A PIRÂMIDE VERDE DA TRISTEZA]

Postei-me então na posição de meditação. Fiz um ritual silencioso de banimento simples, e passei a focar todas as minhas energias no sentimento que tive durante toda a semana. Quando digo narcisista, significa que eu pensei em mim, nas minhas atitudes e na conseqüência das mesmas... Tudo o que me levou a estar onde estou hoje. Os amores, as perdas, os sentimentos que eu guardei sem jamais demonstrar, as agonias, tristezas, ódios, rancores, mágoas... É, dessa vez veio tudo o que foi negativo em minha vida. “Eu sou o poder... eu sou a luz”... Esse era o mantra entoado durante o início de todo o ritual. Finalmente pude fechar meus olhos. E eu o entoava também, deixando minha voz sair e sentindo-a ecoar dentro da minha cabeça... Durante meu processo particular de respiração, fui elevada aos céus e a primeira projeção começou: estava dentro de uma pirâmide, em meio ao nada, à escuridão... essa pirâmide era transparente e, dentro dela, eu podia ouvir as batidas do meu coração acelerado e agoniado, triste.

Porém, quanto mais eu externava toda essa dor, mais os vértices da pirâmide se iluminavam. Quando dei por mim, estava novamente em um céu, verde, e essa cor vinha dos vértices da pirâmide. De dentro de mim, luas e mais luas saíam e eram entregues a esse céu. Em torno da pirâmide, havia uma lua cheia transparente. E do alto, me via sentada, em posição de meditação, dentro do templo.

Aos poucos, a pirâmide foi voltando ao chão e desapareceu. Eu estava novamente em meu corpo, entoando mecânicamente “Eu sou o poder, eu sou a luz”.

Fui tomada por algum tipo de emoção, ou mesmo pela vontade de externar fisicamente o que sentia na alma, tive uma longa crise de choro. Emocionada porque entendi também que a pirâmide e seus vértices iluminados em verde me curaram das dores que estava sentindo no coração.

Me levantei, bebi um pouco de água e fui contemplar o céu daquele início de noite e a linda natureza em torno do templo por alguns instantes. As músicas seguintes eram alegres e meu corpo se deixou levar. Dancei em homenagem à Grande Mãe, em homenagem aos meus estudos, à prática da Grande Arte. Gosto de ir dançar do lado de fora para não atrapalhar os demais.


[DANÇA DE BANIMENTO]

Após dançar sob o céu que relampeava (e essa visão foi deslumbrante, principalmente dentro da força), voltei ao interior do templo e meditei mais um pouco. Mais uma dose. Com as músicas xamânicas, todos se levantaram e começaram a dançar, colocando para fora todas as energias negativas que haviam sobrado após a primeira parte do ritual. Respirei profundamente e deixei meu corpo fazer o resto, sem me preocupar com os outros irmãos. A energia negativa era sentida saindo das pontas dos dedos das mãos e doas pés, mas principalmente saia do chakra coronário. Senti o corpo inteiro formigar e vibrar de maneira muito intensa, tão intensa que, durante a dança, soltei um longo grito de libertação de todo o mal, toda a dor e toda a tristeza.


[SHIVA REVELADA]

Sentei-me novamente. Ouvindo o chamado dos índios, enquanto o longo cachimbo defumava a todos nós, eu, mais uma vez me deixei levar pelo som e pela concentração na respiração, já treinada por conta da prática constante de exercícios e pela prática ali, no momento. Meu diafragma anda bem tonificado. Foi nessa concentração que eu deixei me levar pelos caminhos de Shiva, a pagã adoradora da Lua, de São Miguel Arcanjo, de Iemanjá; a mulher que acredita no amor incondicional e procura aplicá-lo todos os dias, levando um sorriso a cada um que precisa dele. Shiva... que deixa uma serpente repousando em seu colo, que se permite destruir tudo em busca de um recomeço. Comecei a balançar minha cabeça lentamente de um lado ao outro. E enquanto eu executava tal movimento, fui saindo aos poucos do meu corpo. Podia sentir o meu sorriso largo – e realmente no meu corpo físico, era assim que eu estava, sorrindo – e enxergar, dentro do meu crânio, uma mistura de uma espécie de fluido denso, em cores de laranja, verde e amarelo. Conforme eu balançava a cabeça, esses fluidos se misturavam ainda mais, num borbulhar de alegria. Risos. Muitos risos. Eu senti o peso e as escamas geladas de uma linda naja negra em meu pescoço... Me abraçando, me acariciando.... Senti também meu corpo coberto por adornos uma vibranção incessante.

Outros braços, que também eram meus, me abraçavam. A energia era inacreditável e quase insustentável. Levantei-me. Estava em uma floresta densa, mas no meio de um clarão. A música era a mesma do templo, e o “eu” Shiva dançou livre, sorrindo muito... Outra crise de riso. Eu, a natureza, os pássaros e todas as fases da lua no céu. Vênus estava cor-de-rosa intenso... Luzes emanavam dele, e ele quase transformou-se em “sol”. Ganhou vida própria. Um Áries era a constelação que brilhava no céu junto a tantos discos prateados.

Ajoelhei-me ao pé de uma grande árvore, similar às vistas nos livros, descritas como a Árvore da Vida. Á árvore me concedeu poderes inexplicáveis. A partir daquele momento, transformei-me em animais de acordo com os meus sentimentos e minha personalidade.


[FORÇA SELVAGEM]

Para facilitar, colocarei em lista o sentimento e o animal correspondente em que me transformei:

Astúcia e objetividade: águia
Força: tigre dentre-de-sabre
Ódio: bode
Sedução e Paixão: serpente
Vontade: leão
Simplicidade: joaninha
Complexidade e amor: borboleta
Liberdade: beija-flor

O mais impressionante foi sentir a mudança de um animal para o outro quando acontecia. Me sentia mais leve ou mais pesada... Podia sentir a temperatura, os pêlos, as escamas, os dentes. Ao final, estava de volta em meu corpo.


[CONVERSA COM LÓRIS]

Mais uma dose. Deitei-me. E chamei Lóris para uma conversa. Lóris é meu servidor, por acaso uma serpente. Enquanto sentia uma energia absurda entrando em meu chakra raiz – e era muito forte, tão forte que eu mal agüentava abrir ou fechar as mãos – Lóris apareceu, como era de se esperar, dentro de mim. Meus olhos passaram a enxergar em tons avermelhados, como são os olhos de Lóris. Senti os dentes afiados e um enorme carinho. Meu corpo ficou muito gelado de repente. E tentei sair de dentro de Lóris (ela me “engoliu”), mas foi inútil.

Ela quis saber se eu estava apreciando seu trabalho. Respondi que sim. Lóris está se comportando bem, e por esta razão, continuará a ser recompensada. Ela me garantiu que uma de suas tarefas está em fase de conclusão, para que eu não me preocupe com isso. E me mostrou a execução das ordens nela programadas. Agradeceu por estar alimentada com tanta energia. Despediu-se. Voltei a ser eu mesma. E Lóris, curiosamente, voltou ao meu pescoço.


[O PALÁCIO DO DESERTO E A SEDUÇÃO]

Última dose, a força já estava em nível máximo. Era quase impossível controlá-la. Mas eu o fiz, concentrando-me na respiração, na energia que entrava pelo meu chakra raiz e começava a subir para o plexo solar. Passei um bom tempo apenas deixando que essas energias entrassem. Quando me postei novamente em posição de meditação, tornei a sair do corpo, dessa vez muito mais leve, quase que etérea. Viajei por cidades do mundo inteiro... e cheguei ao planeta rosa, da primeira visão. Lá, me encontrei sorrindo, em meio ao grande deserto. Ao invés de pirâmides, um imenso palácio de marfim. Minha essência entrou pelo meu corpo e eu estava vestida em tons de magenta, com muitos véus nas mãos e na cabeça. Dançava alegremente enquanto erguia meus olhos para o céu laranja e rosa. O sol estava forte, e eu transpirava.

E ele estava ali, uma figura masculina, em pé, olhando fixo nos meus olhos. E eu dançava para ele. E ele me fitava com cada vez mais profundidade. Fomos tomados por um grande impulso. Senti meus olhos arderem em chamas, tornando-se vermelhos. Ele acariciou meus braços, levemente... Com o toque angelical e poderoso. O corpo estremecia cada vez que sua pele entrava em contato com a minha. Senti-me segura finalmente. E minha essência saiu do corpo, em busca da essência dele. Nos tomamos um nos braços do outro, em energia etérea. Nem o chão frio de marfim podia conter as energias que estavam transitando ali.

A vida renasceu. E eu, mais uma vez, renasci.

quarta-feira às 15:33

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